Confesso que para dar o ponta pé inicial neste Blog foi um tanto complicado, pois havia a dúvida sobre qual assunto eu poderia trazer para torná-lo interessante em sua “estréia”. Pois é, a resposta saiu de uma conversa com o amigo Lucas Bonavides que, quando demonstrei a idéia de fazer um Blog falando sobre samba, falou-me “tem tudo a ver com você”. Então, a partir dessa conversa, pude ou pudemos estabelecer o tema, segundo o próprio: “rapaz, fale sobre sua primeira lembrança do samba, de quando você descobriu que era apaixonado por samba”, apaixonado, talvez seja um eufemismo utilizado de forma educada por ele, o que acontece comigo em relação ao samba é uma obsessão mesmo, sem o caráter patológico da coisa, ou talvez até tenha, mas eu, como psicólogo que sou, ainda não consegui perceber. E nessa pisadinha, vou tentar expressar essa paixão de forma simples.
Admito que precisar a primeira lembrança do samba, não me é possível, porém, na minha casa, apesar de morar em uma cidade nordestina – Natal – na qual imperam ritmos mais regionalizados como o forró, existiam discos de Paulinho da Viola, Clara Nunes, Beth Carvalho, Chico Buarque, Toco Preto (Um dos melhores Cavaquinista do samba e choro), discos pertencentes à minha tia e à minha avó; mas como qualquer adolescente natalense não resisti ao xote e xaxado, mas a semente já havia sido plantada.
A tal da obsessão começou mesmo quando resolvi aprender a tocar cavaquinho, e, nesse momento, começou o descobrimento de uma das grandes referências pra mim em termos de batucada e swing que foi o primeiro contato com o Grupo Fundo de Quintal (podem os críticos reclamarem, os xiitas levantarem a bandeira contra o FDQ, mas é uma grande referência dentro do samba pra mim); em pleno veraneio (que diga-se de passagem, aqui em Natal é quase uma obrigação em Janeiro você se mudar pra uma praia e passar todo o mês até o carnaval, e é bom viu?!), escutei os primeiros versos de “Se é pra ter ver sorrir, eu sou capaz de até chorar...”, isso mesmo, conheci Nosso Fogo, se a memória não me falha, composição de Adauto Magalha, Adilson Bispo e Zé Roberto; e ai passei a conhecer todos os times que já passaram pelo FDQ enquanto banda, já que o mesmo surgiu de um movimento e encontros no Cacique de Ramos: Neoci, Almir Guineto, Jorge Aragão, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Mario Sergio, Ronaldinho, o Grandioso Cleber Augusto, Sereno, Bira Presidente, Ubirany, Ademir Batera. Tenho até hoje todos os CD´s do Grupo, muitos merecedores de aplausos, embora outros nem tanto. Vale destacar o período em que estiveram integrando o grupo Arlindo Cruz e Sombrinha, gosto também do período em que o Cleber Augusto esteve no grupo, visto que suas composições, suas construções melódicas ímpares tiverem grande destaque, além do seu jeito de cantar com tons mais baixos e um timbre meio grave, meio rouco.
Depois desse período “fundodequintalniano”, comecei a ter contato com as músicas de Jorge Aragão e Beth Carvalho, desta última lembro muito de dois CD´s que a mesma lançou: Pagode de Mesa Vol. 1 e 2, através dos quais passei a conhecer Cartola, pois a Madrinha do Samba tinha gravado “Acontece” no Vol. 2. Do Jorge Aragão, lembro de um CD chamado “Todas”, músicas muito boas, ótimas lembranças da música Doce Amizade. Depois vieram muitas coisas, sensações, interesse pela história do samba, saber quem são os compositores de cada música. O fato é que o samba está pra mim assim como o “divã” para os pacientes de psicoterapia, psicologicamente falando; é a minha válvula de escape, sabe aquela sensação boa, aquela ansiedade quando se vai fazer algo? Pronto, comigo rola o tempo todo quando se trata de se escutar ou fazer um samba. Falando ainda das músicas, uma outra que está presente em meu dia-a-dia é Doces Recordações de D. Ivone Lara, na voz de Fabiana Cozza, apresentada a mim pelos componentes do Grupo Samboêmios do qual faço parte hoje.
Enfim, o samba hoje na minha vida exerce um papel ímpar, seja acalmando o estresse de um dia ruim, seja adoçando ou tornando melhor um dia já alegre.
O Sentimento é principalmente de gratidão. Nada mais justo que criar um Blog para exaltar e divulgar esse ritmo tão afro-brasileiro.
Valeu Samba.
E pra você, qual a sua primeira lembrança sobre o samba? Chegue mais, dê a sua opinião!
E pra você, qual a sua primeira lembrança sobre o samba? Chegue mais, dê a sua opinião!

Maestro Leo, meu parabéns, pela iniciativa de criar esse espaço, destinado à reverência do bom samba.
ResponderExcluirNão sou músico, mas apenas, um simples apreciador desse gênero musical contagiante, e a minha lembrança mais remota, em relação ao samba, são os encontros familiares, que ocorriam (e ainda ocorrem) lá pelos idos de 1990, ocasião em que um tio, com seu violão, passeava por canções, como: "O amanhã" (a cigana leu o meu destino...), "O que é, o que é".
De lá para cá, foram muitas pessoas, grupos de samba, músicas, que passei a admirar, tais como, FDQ, Beth Carvalho, Jorge Aragão, Zeca, Paulinho da Viola, para citar uns mais famosos, mas, não esquecendo dos grandes compositores, como Arlindo Cruz, Adilson Bispo, Marquinho Satã, Nelson Rufino, Cleber Augusto, e os mais jovens, como Inácio Rios e João Martins.
Ah, tem um grupo, chamado "Samboemios", que tem um potencial danado. Conhece?
Abraços e, mais uma vez, parabéns pela iniciativa
"Bora fazer um samba Léo?"
ResponderExcluirQuantas vezes vc ouviu isso? hehehehe
Até parece que foi ontem, no voley club, que conheci um eterno companheiro de samba e da vida. Posso estar afastado, mas não estarei ausente quando "chegar a hora".
O espaço que vc criou aqui é uma oportunidade ímpar para resgatarmos nossas lembranças, mais um momento para o auto-conhecimento na música.
Posso me lembrar dos primeiros momentos em que, voluntariamente, tive contato com a música. Assim como você, Léo, as raízes nordestinas foram, definitivamente, os caminhos que primeiro trilhei. Mas, para o samba, posso usar um trechinho de uma poesia de um poeta novo, Jair Oliveira,
"Eu não cantei, cantei não senhor
Disseram que eu cantei o samba
Mas foi o samba quem me cantou"
foi o samba que me roubou a atenção, timidamente, aos 14 anos de idade, no meio da rua, um cavaquinho, um pandeiro de capoeira, um tamborim com pele frouxa, um reco-reco, um atabaque como "tam-tam", um afoxé, todos formando a famosa "xaranga", rsrsrsrs.
Não estou dizendo que o samba seja uma "xaranga", mas aquela xaranga, uma brincadeira divertida e descontraída me revelou o caminho para "o meu samba", o contato com minhas raízes, assim como descobri "uma facilidade para percussão, em especial o pandeiro (tão presente nas orígens do samba), além da paixão por boas notas de um cavaquinho. isso há 12 anos.
Em meu caminho não poderia omitir a presença deste querido irmão que o samba, humildemente, veio me apresentar, e destacar, ainda mais, sua "Obsessão apaixonada" por nossa cultura.
"é fácil perceber que a capacidade de sentir a música como você sente é privilégio de poucos, eis ai, para mim, o maior talento para um poeta das cordas"
Um grande abraço meu amigo!!! Fique com Deus.
Léo, adorei a iniciativa e pode ter certeza que passarei sempre por aqui. Sobre a primeira lembrança de samba, eu não saberia precisar. Mas acredito que tenha sido Clara Nunes. Minha mãe tinha uns discos dela e tenho uma lembrança de ouvi-los. Acho que foi isso mesmo porque sempre que ouço Clara me bate uma nostalgia e uma emoção diferentes. Mas um sentimento bom. Muito bom. É isso. Salve Samba :D
ResponderExcluirMarcão, meu caro.
ResponderExcluirObrigado pela promoção a maestro, acho que nunca chegará a tanto. Mas o obrigado mesmo é por compartilhar suas lembranças do samba.
Valeu mesmo!!
João (vulgo Jonyy Pull),
Não espero palavras de vc que não sejam de coração, e como sempre vc seguiu a mesma diretriz de como nos conhecemos ha trocentos anos. Um grande abraço de Coração.
Rosa Morena,
obrigado pela participação e confesso que Clara Nunes, conforme coloquei no post teve grande contribuição por essa minha paixão pelo samba, essa fusão que ela sempre fez do samba, candomblé, umbanda, ritmos nordestinos sempre me despertou interesse.
Sua participação será de grande peso aqui.
Abraços e Bjs a todos
Parabéns pelo BLOG só o fato de falar em samba já merece todo meu apoio e admiração. Também tenho um blog www.fucalima2010.blogspot.com e gostaria de sua opinião.
ResponderExcluirValeu Prof. Fumaça,
ResponderExcluirmuito obrigado pelo apoio e vamos trocando informações.
Abraço
Parabéns e muito sucesso na nova empreitada.
ResponderExcluirPoxa, os parabéns vindo de um blog como o Direto dda Geladeira é no mínimo animador para iniciar essa empreitada. Já acompanhava o Blog, muito bom, parabéns ao(s) idealizador(es).
ResponderExcluirLeo, meu caro, é isso aí. Falar da MBB (música brasileira boa, como diz o José Guilherme Genro, é sempre bom.
ResponderExcluirAbração do Oleari - tô na lista papodebutequim e na tribunasambachoro.
Se você tiver em MP3 alguma coisa sua ou de grupo dusbão da sua turma e quiser me passar a gente rola no nosso programa semanal Clube da Boa Música.
Abração do Oleari.
Opa, Valeu Oleari.
ResponderExcluirAssim que tiver algo gravado, encaminho pra ti.
Obrigado pela participação e abração.
"Um dia, tu fostes à Lapa ver a malandragem..."
ResponderExcluirlembrança
Não sei ao certo o primeiro contato que tive com a música, mais precisamente com o samba. Minha memória fraqueja um pouco, mas quando puxo algo dela já me vejo dentro da música, do samba. O que eu sei das minhas origens é que meu pai era um percussionista desses parecido com o que sou hoje. Talvez menos efetivo como sou, de fazer apresentações, de investir na "carreira" de músico, mas ai é que deve tá a minha primeira relação com o samba... no sangue.
ResponderExcluirSó posso agradecer ao samba o que já aprendi e tenho aprendido. Todos esses momentos e pessoas do convívio do samba que conheci contribuíram pra minha formação pessoal e musical.
Parabéns pelo blog, Léo!
E salve o samba!
Fala Léo, parabéns pela iniciativa e podes ter certeza que sempre estarei lendo seu blog. Minha primeira lembrança de samba é com certeza meu pai tocando em seu violão classicos de Chico Buarque, João Nogueira e João Gilberto, que me fez dispertar para musica e querer a aprender violão, mas eu não tinha muito talento pra este instrumento então fui tentar na percurssão ai melhou um pouquinho. Mas a minha primeira lembrança de um artista tocando samba é de um disco de vinil de Beth Carvalho.
ResponderExcluirAbraços
Rafael de Prada
É, parece que o incentivo familiar tem um peso considerável em gostar de samba, ou mesmo em tocar samba; como é o caso de Flaubert e Rafael mais especifamente voltados para a percussão. Em qualquer banda que eu venha a participar, ficaria muito satisfeito se tivesse a participação dessas duas figuras.
ResponderExcluirAbração
Parabéns pela iniciativa, grande Leonardo.
ResponderExcluirBem, minha primeira lembrança do samba, com certeza você estava nele e naquela época você tocava ripique de mão ... Tempos bons onde o samba fluia com naturalidade e o desejo de crescer musicalmente era a principal meta ... Veio a nossa primeira banda, segunda e depois o destino nos traçou caminhos diferentes, mas nunca perdemos nossa amizade, construída há mais de 20 anos ... Hoje vejo que as conquistas foram alcançadas e parabéns pela música que você faz e pelo samba que você não deixa morrer ... Abraços meu Amigo ...
"Amigo, hoje a minha inspiração se ligou em você, e em forma de samba, mandou lhe dizer" ... VOCÊ FAZ PARTE DESSA HISTÓRIA ....
Abraços
Grande Moçada (Marcelino) é fato que o início de toda essa batucada se deu ainda no Colégio Salesiano e nos churrascos na Casa de Cleiner sem instrumento de harmonia algum, ou ainda no tradicional Último Samba do Ano (10 anos de tradição) mas os caminhos foram trilhados, de lembrança só consigo guardar os momentos bons.
ResponderExcluir"A amizade nem mesmo a força do tempo irá destruir, somos VERDADE..."
Grande abraço
Grande Leo, parabéns pelo blog.
ResponderExcluirAssim como visitastes o meu (http://papoco.blogspot.com), estou aqui marcando presença no seu.
Bom, meu primeiro contato com o samba foi, com certeza, na infância. Meu pai, João Geraldo, tocava cuíca na escola de samba "bloco do malandro", na cidade de Turvo - SC. Dos ensaios às rodas de samba da aabb, passando pelos discos mais vairados do gênero. Todo esse ambiente foi decisivo para despertar meu interesse. Aos 8 anos estudei piano e a partir dos 10 começei a tocar violão. Aqui em Natal tive o privilégio de ter sido aluno do de Antônio Fernandes (Toinho 7 cordas)que infelizmente nos deixou há alguns anos. Acredito que o céu esteja mais harmônico. Aos 16 começei a tocar cavaco e não parei mais. Gostaria de poder ter me dedicado mais à música, mas, como nunca a encarei como atividade principal, acabei focando meus estudos em outras áreas, como o direito, por exemplo.
Todavia, não só o samba, mas a música em si, estará sempre presente na minha vida, é o que desejo, não me vejo sem tocar, cantar, compor.
Viva o samba, viva a música.
Grande Abraço.
Pois é João, com a influêcia de um pai assim não teria como não ter trilhado um caminho para a boa música. O samba agradece.
ResponderExcluirA música encarada como carreira é uma decisão bem difícil para um contexto natalense, além de envolver uma vida dedicada à música, há de se pensar um tanto.
Mas apesar de qualquer pesar, Viva a Música, Viva o Samba.
Salve.
Chefinho, doce em pessoa, ficou massa! Isso aqui tem a sua cara. Minha primeira lembrança do "gostar de samba" vem da época que ainda morava em Fortaleza. E foi do nada, sem influência alguma. Achei um CD do Grupo Raça lá em casa e, por curiosidade, fui ouvir. E este serviu como isca para vários outros que comprei, como Zeca, Fundo, Martinho, Beth, etc. Hoje posso dizer que sou viciado em música; música boa: amo o Samba, sou apaixonado por reggae e mpb, sou louco por forró pé-de-serra, adoro o rock e ainda curto um blues. É isso! Show de bola, gordin!! Lucas Bona
ResponderExcluirEita, massa! Quem nunca escutou O Teu Chamego, Seja Mais Você, Quem ama, Tô Legal (...apesar disso tudo, tô legal...)? Muito bom, vou até dá uma revirada no material sobre o Grupo Raça. Uma curiosidade: sabia que o Ronaldinho (Banjo e voz do FDQ) já fez parte do Grupo Raça? Pois é, fez.
ResponderExcluirValeu Luquinha
Enviado por e-mail!!
ResponderExcluir"Meu grande e mais novo amigo de verdade, pelo meu gosto musical vc sabe q apoio totalmente sua ideia com ralaçao ao blog, parabenizo-o, pois sei q vai passar a maior quantidade de conhecimento q tiver, quero ser um grande colaborador.
abraço
Thiago Galvão Simonetti"
Complementado, meu primeiro contato com o samba, como grande parte dos comentários acima, foi com a família, qdo pequeno, a gente sempre ia almoçar domingo na AABB e sempre tinha uma música ao vivo lá. Minha lembrança mais forte era quando ele tocava Adoniran e Noel, acho q é por isso q hj sou grande admirador do trabalho destes centenários imortais!
E hj tenho o grande prazer de está me divertindo ao lado dos meus amigo do Samboêmios!
Valeu Thiago, gostei do mais novo amigo de verdade, vida se constrói com afinidades e reciprocidades.
ResponderExcluirÉ, você já iniciou o passeio pelo samba de forma bem firme né?! O que falar do Poeta da Vila que além de transformar a lírica da canção popular, também integrou o morro e o asfalto? O que falar de um compositor que viveu apenas 26 anos e deixou uma vasta obra de canções que abordam tudo quanto é tema?
E o que falar também de João Rubinato (Adoniran Barbosa era um dos personagens que ele representava que acabou se tornando o próprio) que expressava na música o jeito de falar paulistano, que trazia em sua música uma forma de inserção social ao abordar problemas e mazelas do cotidiano?
Valeu Thiago pelo comentário e pela amizade que espero que um dia se torne velha!!
Abraços
Grande Léo,
ResponderExcluirParabéns pelo site!
Lembro das rodas de samba que a gente fazia na época de colégio. Eu sempre mais na cantoria do que tocando algum instrumento, não sei porque, mas sempre que eu tocava algum instrumento alguém logo vinha e pegava da minha mão pedindo para tocar. Mas aquilo era muito divertido para mim.
Era evidente que você mergulhou muito mais fundo nesse mundo do samba e isso reflete no seu desempenho e reconhecimento atual.
Abração, parabéns pela iniciativa e nos encontramos nas rodas de samba poraí...