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Natalense de origem, Psicólogo por formação, Cavaquinista por paixão e Sambista ou Sambeiro por adoração.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ÚLTIMO SAMBA

Calma lá!! Nem agoniza e nem morre, como um dia citou Nelson Sargento em antológico samba Agoniza, mas não morre, o último samba se refere ao último ato para o samba que realizamos no dia 30 de Dezembro de 2010 em Natal; é um evento que já acontece há 10 anos com realização do amigo Marcelino. O evento em si torna-se fundo e a roda de samba é que é a figura, digamos, o destaque da rodada. Neste ano pudemos contar com um grande número de apreciadores e músicos, em uma confraternização muito coerente do que é um pagode (no sentido de reunião), um clima festivo com muitas, muitas, mas muitas cervejas e aquele sol de Natal. Foi iniciado as 14h00 e foi até 00h00. Haja Samba.

Quem já pôde de uma forma ou de outra, participar de uma roda de samba, tocando ou ajudando com o gogó, vai entender o sentimento que se constrói nessa aglomeração de pessoas batucando, cantando, tocando com caixa de fósforo, com garrafa de cerveja, vai perceber o quão, eu diria, mágico é o momento. A constituição de uma roda de samba já é preditora da liberdade, visto que não há compromisso com o tempo, nem com repertório (apenas com a boa música), é livre em sua essência, bem como democrática, todos podem participar, do mesmo modo sugerir músicas. Não vou negar que é prazeroso puxar um samba e perceber a reação no rosto das pessoas, expressando num dizer “essa é boa”, ou levantando ou batendo na palma da mão, ou mesmo pelo próprio ato de cantar junto, atestando a aprovação do repertório.

Geralmente, há uma associação entre música e lembrança, com os mais velhos quando se toca um samba do tempo da ditadura, há aquela amarga e corajosa memória dos tempos idos; quando um samba lembra uma pessoa amada, quando lembra uma pessoa que já foi amada, uma que já foi traída, que traiu, enfim, temos na música o hábito de relacionar fatos e emoções; e no samba, na roda de samba não é diferente.

É por essas e outras que a paixão pelo samba jamais irá morrer, nem tampouco agonizar, pelo contrário se fortalece, cresce e enobrece nosso cotidiano e o último samba do ano não deixa de ser uma homenagem ao próprio samba.
Até o último samba de 2011, embora hajam nesse caminho vários outros até chegar lá. Inté.

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