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Natalense de origem, Psicólogo por formação, Cavaquinista por paixão e Sambista ou Sambeiro por adoração.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lembrança

Confesso que para dar o ponta pé inicial neste Blog foi um tanto complicado, pois havia a dúvida sobre qual assunto eu poderia trazer para torná-lo interessante em sua “estréia”. Pois é, a resposta saiu de uma conversa com o amigo Lucas Bonavides que, quando demonstrei a idéia de fazer um Blog falando sobre samba, falou-me “tem tudo a ver com você”. Então, a partir dessa conversa, pude ou pudemos estabelecer o tema, segundo o próprio: “rapaz, fale sobre sua primeira lembrança do samba, de quando você descobriu que era apaixonado por samba”, apaixonado, talvez seja um eufemismo utilizado de forma educada por ele, o que acontece comigo em relação ao samba é uma obsessão mesmo, sem o caráter patológico da coisa, ou talvez até tenha, mas eu, como psicólogo que sou, ainda não consegui perceber. E nessa pisadinha, vou tentar expressar essa paixão de forma simples.

Admito que precisar a primeira lembrança do samba, não me é possível, porém, na minha casa, apesar de morar em uma cidade nordestina – Natal – na qual imperam ritmos mais regionalizados como o forró, existiam discos de Paulinho da Viola, Clara Nunes, Beth Carvalho, Chico Buarque, Toco Preto (Um dos melhores Cavaquinista do samba e choro), discos pertencentes à minha tia e à minha avó; mas como qualquer adolescente natalense não resisti ao xote e xaxado, mas a semente já havia sido plantada.

A tal da obsessão começou mesmo quando resolvi aprender a tocar cavaquinho, e, nesse momento, começou o descobrimento de uma das grandes referências pra mim em termos de batucada e swing que foi o primeiro contato com o Grupo Fundo de Quintal (podem os críticos reclamarem, os xiitas levantarem a bandeira contra o FDQ, mas é uma grande referência dentro do samba pra mim); em pleno veraneio (que diga-se de passagem, aqui em Natal é quase uma obrigação em Janeiro você se mudar pra uma praia e passar todo o mês até o carnaval, e é bom viu?!), escutei os primeiros versos de “Se é pra ter ver sorrir, eu sou capaz de até chorar...”, isso mesmo, conheci Nosso Fogo, se a memória não me falha, composição de Adauto Magalha, Adilson Bispo e Zé Roberto; e ai passei a conhecer todos os times que já passaram pelo FDQ enquanto banda, já que o mesmo surgiu de um movimento e encontros no Cacique de Ramos: Neoci, Almir Guineto, Jorge Aragão, Sombra, Sombrinha, Arlindo Cruz, Mario Sergio, Ronaldinho, o Grandioso Cleber Augusto, Sereno, Bira Presidente, Ubirany, Ademir Batera. Tenho até hoje todos os CD´s do Grupo, muitos merecedores de aplausos, embora outros nem tanto. Vale destacar o período em que estiveram integrando o grupo Arlindo Cruz e Sombrinha, gosto também do período em que o Cleber Augusto esteve no grupo, visto que suas composições, suas construções melódicas ímpares tiverem grande destaque, além do seu jeito de cantar com tons mais baixos e um timbre meio grave, meio rouco.

Depois desse período “fundodequintalniano”, comecei a ter contato com as músicas de Jorge Aragão e Beth Carvalho, desta última lembro muito de dois CD´s que a mesma lançou: Pagode de Mesa Vol. 1 e 2, através dos quais passei a conhecer Cartola, pois a Madrinha do Samba tinha gravado “Acontece” no Vol. 2. Do Jorge Aragão, lembro de um CD chamado “Todas”, músicas muito boas, ótimas lembranças da música Doce Amizade. Depois vieram muitas coisas, sensações, interesse pela história do samba, saber quem são os compositores de cada música. O fato é que o samba está pra mim assim como o “divã” para os pacientes de psicoterapia, psicologicamente falando; é a minha válvula de escape, sabe aquela sensação boa, aquela ansiedade quando se vai fazer algo? Pronto, comigo rola o tempo todo quando se trata de se escutar ou fazer um samba. Falando ainda das músicas, uma outra que está presente em meu dia-a-dia é Doces Recordações de D. Ivone Lara, na voz de Fabiana Cozza, apresentada a mim pelos componentes do Grupo Samboêmios do qual faço parte hoje.

Enfim, o samba hoje na minha vida exerce um papel ímpar, seja acalmando o estresse de um dia ruim, seja adoçando ou tornando melhor um dia já alegre.
O Sentimento é principalmente de gratidão. Nada mais justo que criar um Blog para exaltar e divulgar esse ritmo tão afro-brasileiro.
Valeu Samba.

E pra você, qual a sua primeira lembrança sobre o samba? Chegue mais, dê a sua opinião!